Eleições 2018: Os eleitores estão mais indecisos?


Maria Vitória de Almeida* e Otávio Catelano**

Com 13 candidatos confirmados para concorrer à Presidência, já podemos afirmar que as eleições de 2018 serão altamente competitivas. Outro ponto que vem sendo ressaltado é que, diferentemente das eleições presidenciais disputadas entre 1994 e 2014 - que contavam com uma polarização entre PT e PSDB -, as eleições de 2018 colocam uma interrogação a respeito de quais partidos conseguirão avançar para um possível segundo turno.

O cenário da política nacional enfrentou vários desafios desde a última corrida presidencial, como as manifestações pró e anti-impeachment, a deposição de Dilma Rousseff, o avanço da Operação Lava Jato, a prisão de Eduardo Cunha, a prisão de Lula e as altas taxas de rejeição do governo Temer. Esses, entre outros, são eventos que influenciam as eleições de 2018. Nesse campo de reconfiguração política e partidária, coloca-se em questão se os eleitores estão mais indecisos a respeito dos candidatos em que irão votar no dia sete de outubro. Os dados indicam que a porcentagem de indecisos em 2018, apesar do quadro político singular, não destoa dos resultados dos últimos 20 anos.

Entre 1994 e 2014, a disputa presidencial foi concentrada entre o PT e o PSDB, como demonstrado nos mapas acima, referentes aos segundos turnos de 2002 à 2014. Em 2018, segundo as pesquisas de intenção de voto realizadas até aqui, os dois partidos correm risco de estar de fora do segundo turno. Os mapas completos (com legenda e fontes) podem ser encontrados na subseção Mapas Eleitorais.

No Brasil, o comparecimento em eleições é obrigatório e há uma série de incentivos para os cidadãos participarem, como a emissão da propaganda política gratuita no rádio e na televisão, a realização das votações em finais de semana e as propagandas lançadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que buscam incentivar a participação dos eleitores. Segundo Zachary Elkins (University of California), a obrigatoriedade do voto significa o encorajamento à participação, sendo mecanismo importante para a socialização política dos cidadãos, principalmente em países que vivenciaram regimes militares.

Os dados sobre intenção de voto mobilizam as pesquisas eleitorais e as análises a respeito da interação dos eleitores com o sistema político, seus partidos e candidatos. A participação eleitoral e a representação política por meio de eleições são consideradas como pontos centrais para entender as dinâmicas de interação da população com os regimes democráticos contemporâneos. De acordo com os estudos da Ciência Política, uma parte substantiva dos eleitores se declaram indecisos nas pesquisas pré-eleitorais, como afirmam Lluis Orriols (University Carlos III de Madrid) e Alvaro Martinez (The University of Sheffield). Essa indecisão pode estar associada a diversos fatores. Um deles pode ser o afastamento ou a indiferença dos cidadãos com relação à política. Outro pode ser o contexto político, ou seja, o timing das decisões dos partidos, que podem definir candidaturas e coligações muito próximos da data de início das campanhas, como aconteceu neste ano. Além disso, também há a questão da informação: os “custos” para buscar e ter acesso à informação são mais altos no período pré-campanhas.

No Gráfico 1, podemos observar os dados da intenção de voto de 1998 à 2018 no momento de pré-campanha política, segundo o Instituto Datafolha. Nele, trazemos um comparativo dos dados de indecisão do voto das eleições que tiveram uma data específica para o início das campanhas. As eleições de 1998 marcam esse momento com a Lei 9.504/97 - de acordo com a legislação, o período de campanha se iniciava no dia cinco de julho. A mesma lei vigorou até as eleições de 2014. Assim, foram coletados resultados de pesquisas Datafolha realizadas em abril (três meses antes das campanhas), maio (dois meses antes) e junho (um mês) para as eleições de 1998 à 2014. Já para as eleições de 2018, houve uma redução do período de campanha, que teve início somente no dia 15 de agosto (Lei 13.165/15). Para ela, coletamos os dados da pesquisa realizada em junho, que foi a única realizada pelo Instituto no trimestre anterior ao início da campanha.

Os dados selecionados são de pesquisas de intenção de voto espontâneas. Ou seja, o entrevistador não ofereceu opções pré-estabelecidas de candidatos ao entrevistado. Nesse tipo de pesquisa, os entrevistados devem declarar espontaneamente sua escolha, o que pode indicar uma ligação mais forte com algum(a) candidato(a).