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INCT-IDDC nas eleições argentinas - Boletim 5



Após derrota, Juntos por el Cambio encara a crise

Os dias seguintes ao primeiro turno das eleições, em que Sergio Massa avançou como líder da disputa, causaram uma grande agitação política na Argentina. A maior incerteza era o destino dos votos da aliança Juntos por el Cambio, terceiro colocado na disputa presencial com Patricia Bullrich. A sinalização de apoio ao candidato de extrema direita Javier Milei, que já havia aparecido no discurso da candidata derrotada, veio a se confirmar poucos dias depois. Bullrich e o ex-presidente Macri concordaram, à revelia do partido, em expressar o apoio a Milei.

Imediatamente após o anúncio do pacto, grupos que formam o Juntos por el Cambio reagiram, com acusações de traição, rompimento e surpresa. "Eles tomaram uma decisão unilateral, que é deixar Juntos por el Cambio. São eles que estão saindo”, disseram dirigentes do partido, segundo o site Página 12, em um trocadilho com o lema de Milei, “que se vayan todos”. “É uma decisão de grande irresponsabilidade, desrespeitosa para com o nosso partido", completaram. Alguns grandes nomes da aliança decidiram não declarar apoio. O Radicalismo (UCR), um fiel defensor da democracia por meio do seu líder máximo, Rául Alfonsín, o primeiro presidente desde a redemocratização, mostrou uma posição neutra, mas com a balança a pender para Massa. Milei foi o candidato que disse ter um saco de boxe com o rosto de Alfonsín para bater e o chamou de pior presidente da história da Argentina.

A crise interna do Juntos por el Cambio foi instalada logo após o primeiro turno. Não se sabe quais foram os acordos selados entre Milei, Bullrich e Macri. Mas, na imprensa, analistas prevêem que a derrocada da aliança é questão de (pouco) tempo.

Apoio se converterá em voto?

De um lado, estão o leão (Milei), o pato (Bullrich) e o gato (Macri) cujas bandeiras são acabar com o kirchnerismo. Resta saber se Bullrich e Macri têm boa capacidade de transferência de votos dos eleitores que escolheram o JC no primeiro turno. Do outro lado está Sergio Massa, que conseguiu ganhar quase 11 pontos percentuais desde as primárias. O candidato governista surpreendeu, e procura seguir o redirecionamento escolhido na reta final, de buscar a “unidade nacional”.

Parte das projeções de votos no segundo turno das eleições argentinas é mais previsível, como os votos da Frente de Izquierda y de los Trabajadores - Unidad (700 mil), e do Hacemos por Nuestro País (1,7 milhão), somando 2,4 milhão de votos que devem ir, em larga maioria, para o Unión por la Patria, partido de Massa. O principal desafio de líder dessa corrida, contudo, é atrair o apoio de parte do radicalismo que zangado com Macri e Bullrich – mesmo que ele venha na forma de voto em branco ou abstenção.

A pesquisa eleitoral da Proyección, divulgada no final da semana passada, publicada pelo Página 12, prevê uma vitória de Sergio Massa com 44% dos votos totais contra 34% de Javier Milei. Até lá, porém, restam longas três semanas, com a previsão de um debate entre os concorrentes no meio.


Quer saber mais?

1 - Para analista do jornal La Nación, o racha ensaiado por Juntos por el Cambio dará origem a novas lideranças políticas no país.

https://www.lanacion.com.ar/politica/radiografia-de-la-convulsion-los-intendentes-bonaerenses-de-jxc-priorizan-la-gobernabilidad-en-sus-nid29102023/

2 - Para o cientista político Gabriel Vommaro, Milei, caso eleito, vai precisar de “um pouco mais de caos” para conseguir tirar suas ideias radicais do papel. Leia a conversa dele com Leonardo Avritzer.

3 – O cientista político Enrique Peruzzotti reflete sobre o cenário eleitoral argentino e a possibilidade da inauguração de uma nova etapa política no país.

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